sábado, 26 de junho de 2010

ENERGIA VERDE




"Grande parte da eletricidade gerada no Brasil tem origem hidráulica, mas para garantir o bom funcionamento do sistema elétrico nacional é preciso que haja uma maior diversidade na composição de sua matriz.

A eletricidade de origem térmica(gás, óleo e carvão) ajuda a controlar, com elevada segurança, o nível dos reservatórios de água que suprem as hidrelétricas. As usinas nucleares também são térmicas (geram energia a partir do calor liberado pela fissão do núcleo do átomo do urânio enriquecido), mas não produzem gases poluentes e causadores do efeito estufa como as outras fontes de calor.

Usinas nucleares ocupam áreas relativamente pequenas(3,5 km², no caso de Angra), ficam próximas aos centros consumidores- evitando, portando, perdas de energia em longas linhas de transmissão-, e se abastecem com urânio, minério abundante no Brasil.

A energia nuclear é a única que tem todas as suas etapas devidamente monitoradas e sob total controle, sem liberar qualquer produto nocivo ao meio ambiente. O fato de a geração de energia nuclear em nada contribuir para o efeito estufa, que vem provocando o aquecimento do planeta e alterações climáticas preocupantes, tem levado organizações e líderes de movimentos ambientalistas- antes ferrenhos críticos à construção de usinas nucleares- a reverem suas posições."




Marina

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Alguns esclarecimentos sobre a política nuclear do Irã...

Bem vindos ao blog da primeira turma de Engenharia Nuclear do Brasil.Meu nome é Lívia e o primeiro post é meu!

Temos ouvido muitos rumores na mídia sobre o conflito dos EUA e da ONU com a política nuclear do Irã, e, principalmente, muitos comentários sobre o acordo que fora proposto, o qual o nosso presidente participou ativamente. Dentre as diversas opiniões, destacam-se aquelas que defendem cegamente que sejam tomadas medidas de intervenção na área, uma vez que é certo a presença de armas nucleares.Não é bem assim...
Para aqueles que não sabem, existe um artigo na Carta das Nações Unidas que garante que todos os países do globo devem ter o mesmo direito a desenvolvimento.Faz sentido, não?Na verdade, não.Teoricamente, esse artigo deveria certificar que todos os países tivesses o mesmo acesso a formas de desenvolvimento, sejam elas tecnologias ou conhecimento. Nós sabemos que isso não ocorre e que é distorcido por alguns poucos países que possuem esses meios.Ainda assim, é direito de todos os países possuir acesso as diversas formas de desenvolvimento, e este direito deve ser assegurado pelas Nações Unidas.
O ponto aonde eu quero chegar é que, se uma forma de geração de energia é um meio de desenvolvimento de um país (lembre-se:o nível de desenvolvimento de um país é medido a partir da sua energia gerada/consumida), o desenvolvimento da mesma é um direito de todos os países membros, logo, deve ser asseguradas pela ONU.
Neste momento, inserirei alguns dados técnicos sobre a geração de energia nuclear.O urânio, que é o combustível utilizado nas usinas, é encontrado na natureza em forma de 3 isótopos diferentes: U238, que é o mais comum, é encontrado em concentrações altíssimas, que chegam a 99% de ocorrência na natureza.O U234, o mais raro, é encontrado a uma porcentagem inferior a 0.28% e, finalmente, o utilizado nas usinas, o U235, que tem uma ocorrência de aproximadamente 0.72% na natureza.como a concentração do Urânio utilizado nas usinas é baixíssima, utiliza-se de um processo chamado de ENRIQUECIMENTO para aumentar as suas concentrações.O enriquecimento é feito através de centrífugas que separam parcialmente os diferentes isótopos.
O Urânio pode ser enriquecido a diversas concentrações.Utiliza-se um enriquecimento de 3 a 4% para fins energéticos (qualquer nível maior que esse, torna-se mais fácil a perda do controle da reação), 20% para fins medicinais (radiologia) e, acima de 90%, para fins bélicos.Quanto maior o enriquecimento, maior a quantidade de centrífugas que devem ser utilizadas.
Voltando ao Irã. Houve uma compra de um número significativamente alto de centrífugas para o início do programa nuclear do país, mas essas também são necessárias para o enriquecimento para fins medicinais.Na verdade, não existem provas concretas do desenvolvimento de armamento nuclear ou não, pela IAEA (vide link abaixo), muito menos pelo Conselho de Segurança da ONU.É notório que o Oriente Médio é uma região deveras instável para que se mantenha um controle de longe sobre um possível desenvolvimento bélico nuclear, mas não por isso os países devem ir contra os princípios da Carta das Nações Unidas e penalizar um país pelos seus conflitos étnicos.Não obstante, os EUA possuem um grande interesse na área em questão e farão de tudo, no cenário político internacional, para impedir que haja um desenvolvimento do Oriente Médio.
Quanto ao acordo o qual o nosso presidente serviu de mediador (entre IRã e Turquia) sobre a entrega de N toneladas de minério de Urânio em troca de (N-X)toneladas de Urânio enriquecido alguns anos depois, não cabe ao Conselho de Segurança da Onu intervir, criticar, aceitar ou condenar os termos, tendo em vista que foi um acordo bilateral.Na minha opinião, cabe a Onu acompanhar os acordos feitos entre os países envolvidos e somente tomar alguma decisão mais firme (sanções, etc) em casos de reais necessidades.
Até breve, espero que gostem, e os próximos terão um pouco menos de política e mais engenharia nuclear.